A trajetória da Petrobras os levou a ser um dos líderes mundiais na exploração e produção de petróleo e gás em águas profundas, onde se localizam os campos do pré-sal. Hoje, das treze refinarias existentes, a  estatal está vendendo oito delas: Landulpho Alves (Rlam), na Bahia; Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná; Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco; Unidade de Industrialização do Xisto (Six), no Paraná; Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul; Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais; Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas; e a Lubnor, localizada em Fortaleza (CE), responsável pela produção de asfaltos e lubrificantes naftênicos.

Ao vender algumas unidades, a Petrobras visa utilizar o recurso obtido para investir em outros projetos que geram mais valor. Algumas refinarias já não trazem o retorno esperado e, em alguns casos, ainda exigem mais recursos para sua manutenção. Outras são rentáveis, mas, ao comparar com outros projetos com maior potencial de geração de valor, vale mais a pena investir em outros ativos. Não há dinheiro para investir em tudo, em todas as frentes. Estas vendas também possuem o objetivo de reduzir o endividamento da estatal, que ainda é muito alto. Hoje, segundo a Petrobras, os juros consomem cerca de 35% do caixa que é gerado pelas operações. Para fins de exemplificação, os juros pagos por ano equivalem a um sistema de produção de petróleo completo, que envolve plataformas, sistemas submarinos e poços, uma capacidade total de produzir 150 mil barris de petróleo por dia e que geram uma receita anual de cerca de $3 bilhões.

Em 30 de Novembro de 2020, a Petrobras divulgou os principais pontos de seu plano estratégico para o quinquênio 2021-2025, tendo como destaques a projeção de crescimento de produção; o foco no pré-sal; o Capex; e as vendas de ativos. A expectativa é levantar entre $25 bilhões e $35 bilhões com a venda de ativos até 2025, o que seria o suficiente para financiar quase metade de seu plano de Capex (total estimado em $55 bilhões, destes, 84% serão alocados em exploração e produção). A companhia sinalizou que a expectativa é a venda integral das oito refinarias até o final de 2021.

O processo está, atualmente, em fase de nova rodada de propostas. Nesta nova rodada, a Petrobras solicitou a todos os participantes que apresentem suas ofertas oficiais até o final de Janeiro de 2021. A Ultrapar e a Raízen devem entregar propostas para as duas refinarias na região Sul (Refap e Repar), e para a Rnest, em Pernambuco. A Sinopec e o Mubadala disputam a Rlam, a mais antiga refinaria do Brasil, na Bahia. A Sinopec, de origem chinesa, atua no Brasil como produtora de petróleo e está no pré-sal, por meio da Petrogal, sociedade com a portuguesa Galp. A Mubadala, por sua vez, é um fundo de capital de risco de Abu Dhabi e tem participação na Cepsa, petroleira espanhola com ativos na América Latina. Em 03 de Dezembro de 2020, a Petrobras anunciou a conclusão da fase de negociação com o Mubadala sobre a venda da Rlam.

A Petrobras não está sendo desmontada, ela está sendo reconstruída: o plano é investir mais do que desinvestir. No contexto atual, vivemos um momento em que empresas e indústrias procuram se reinventar para sobreviver e modelos de negócios verticais e monopólios estão sob questionamento. A estatal está exercendo gestão de portfólio: concentrar esforços e exercer ações estratégicas em ativos de maior retorno. 

E a pergunta mais importante é: com a venda de parte das refinarias, o preço dos combustíveis poderá ficar mais caro? Segundo a Petrobras, é o mercado que define o preço de acordo com o petróleo internacional e sua volatilidade. A dinâmica da competição de importação permanece inalterada, independentemente de quem seja o proprietário da refinaria. Vale lembrar que o preço do produto na refinaria representa somente uma parcela do preço do combustível vendido ao consumidor. Tributos, margem das distribuidoras e revendedores, além do etanol e do biodiesel, também compõem o preço final da gasolina e do diesel, respectivamente.

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